A coerência na política brasileira é como a fidelidade na poligamia. Mercadoria esgotada há tempo. Luiz Lopes, Procurador de Justiça
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Diálogo com a FIFA, sim; capitulação, não!
11/09/2012 14:14
Divulgação
Nebulosa esta história do governo brasileiro com a FIFA.
No primeiro momento, o ministro Rebelo pareceu falar em nome da presidente Dilma, com reações enérgicas ao “desaforo” do francês, secretário geral da entidade internacional do futebol.
Agora, já se anunciam “panos mornos”. Não se pode defender a intransigência, no sentido do governo brasileiro contribuir para um impasse, que gere prejuízos à Copa do mundo de 2014.
Em absoluto. Isto seria insensatez.
Entretanto, nem oito, nem oitenta.
Uma coisa é exercer a diplomacia e procurar caminhos de convergência, que restabeleçam o diálogo com a FIFA. Outra coisa será simplesmente dar o dito pelo não dito e aceitar a presença ofensiva desse Valcke, que continuaria como o interlocutor da entidade do futebol junto ao nosso governo.
Isto não. Isto se chamará capitular de forma vergonhosa.
Será que a FIFA não tem outro representante do seu comando, que faça o papel de interlocutor com o Brasil.
É preciso ficar claro que o Valcke ofendeu um país e, pelo menos, para esse evento da Copa do Mundo, perdeu as condições de diálogo com o governo brasileiro. No futuro, em outras circunstâncias, poderia até se recuperar.
Agora, não!
A verdade é que, nem com o Brasil totalmente atrasado nas obras preparatórias da Copa do Mundo 2014 – o que não ocorre-, se justificariam as declarações grosseiras e mal educadas do tal Jérôme Valcke, afirmando que o país deveria receber “um ponta pé no traseiro” e críticas ferinas ao Congresso Nacional.
Não se trata de nacionalismo exagerado e inconsequente. Afinal, foi feita referencia maldoso a uma nação soberana, de forma “impertinente e descabida” como classificou, com absoluta razão, o ministro Aldo Rebelo, ao encampar, aparentemente, a indignação da presidente Dilma Rousseff.
A decisão do Brasil sediar a Copa dificilmente terá um “plano B”, como se anuncia nas entrelinhas das sucessivas ameaças dos últimos meses. De um lado, a instituição internacional já decidiu e homologou o local da competição e para voltar atrás arcará com prejuízos maiores do que eventuais atrasos aqui e acolá.
De outro lado, o Brasil tem todo o interesse de cumprir o acordado, inclusive pelos investimentos liberados em obras de estádios e infraestrutura. As duas partes nada ganhariam com a “quebra” de compromissos.
A revista Época ao divulgar recente entrevista com Patrick Nally, mentor das estratégias de marketing da Fifa, provocou comentários em blogs de que a autoridade da “FIFA sobre os países faz dela uma entidade até mais firme e poderosa que a própria ONU, aquela fantasia de órgão supranacional ...Seria o caso de criar um país só para que a FIFA realize seu espetáculo: a Fifalândia”.
Existem situações inacreditáveis na fase de preparativos da Copa no Brasil. Por exemplo, o direito a meia-entrada de estudantes e idosos, que sendo lei brasileira, recebeu publicamente a ameaça de não ser aceita pela Fifa, sob o argumento de que deixaria de ganhar U$ 100 milhões de dólares (R$ 180 milhões de reais).
A Câmara dos Deputados, de forma soberana, aprovou o Estatuto da Juventude, que tornou fato consumado a meia-entrada para estudantes entre 15 e 29 anos. Note-se que o preço dos ingressos estabelecido pela Fifa engloba valores entre 900 e 50 dólares. Propõe que caso haja demanda maior para os ingressos de menor preço seja feito um sorteio entre os idosos, estudantes e beneficiados da Bolsa Família.
Na visão da Fifa, os deficientes físicos também não seriam beneficiados. Um absurdo tais propostas!
A entidade ganhou 4,1 bilhões de dólares (R$ 7,3 bilhões) entre 2006 e 2010, na África do Sul e tem o propósito de ganhar muito mais no Brasil, a custa do corte de direitos legítimos do nosso povo.
A venda de bebidas alcoólicas em estádios é outra questão polêmica e a FIFA quer a liberação, já que possui patrocinadores internacionais produtores de bebida.
O ministro Aldo Rebelo, respaldado pela presidente Dilma, agiu com firmeza e merecu apoio incondicional da nação. Se recuar em excesso perderá a credibilidade e a autoridade.
Afinal, a maior parte da construção dos estádios brasileiros está seguindo o cronograma previsto, bem como as obras de mobilidade urbana, no total de cinquenta e uma, com a previsão continua de entrega em 2013.
Esse tal Valcke, com arrogância e prepotência na linguagem usada, foi mais além do que o seu compatriota Charles de Gaulle, quando nos anos 60 teria declarado que o “Brasil não era um país sério”.
Nessa década também ocorreu à chamada “guerra da lagosta”, envolvendo França e Brasil, com a captura ilegal de lagosta, por parte de embarcações francesas, que invadiram águas territoriais no litoral Nordeste do Brasil.
O presidente João Goulart chegou a determinar o deslocamento para a região de contingente militar e em terra o 4° Exército sediado em Recife, sob o comando do general Castelo Branco, também se mobilizou. O conflito foi encerrado a favor do Brasil.
A melhor saída para o impasse da Copa será uma alternativa negociada, desde que não envolva o tal Valcke como interlocutor da Fifa. Se o governo brasileiro recuar nesse aspecto terá simplesmente sujado a água para depois beber...
Em tal hipótese mereceria realmente “um ponta pé no traseiro”...
Ney Lopes
Jornalista, advogado e ex-deputado federal- www.blogdoneylopes.com.br
ROMPIMENTO
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Para quem conhece o estilo de Garibaldi e de Henrique, sabe que as pala...
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DESPREZO
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