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Médica do Estado ganha quase quatro vezes menos que ASG
11/09/2012 14:14
Divulgação
A folha salarial é um dos maiores problemas para as finanças do Governo do Estado. Dos R$ 23 milhões que ele arrecada por dia, R$ 9 milhões foi só para pagar a folha salarial dos servidores do Poder Executivo. Não era para menos: observando a listagem dos salários de oito pastas do Governo, divulgadas no site oficial da gestão, é possível ver alguns números curiosos, sobretudo, na Secretaria de Tributação. Enquanto tem auxiliar de serviços gerais (ASG) ganhando quase R$ 2,6 mil, há médica que recebe apenas R$ 684.
A médica em questão é Rachel Gondim Vital do Rego, que trabalha 40 horas semanais, tem o cargo descrito como "médico", mas tem um salário bruto de apenas R$ 684,20. Com os descontos, o pagamento fica apenas R$ 608,94 - menos que um estagiário, que recebe R$ 670.
Se comparado ao valor pago à motoristas e ASGs, a diferença é maior ainda. Um exemplo em questão é o ASG José Laurentino da Silva, que trabalha também 40 horas semanais e recebe R$ 2,6 mil, bruto. Alias, ASG tem uma remuneração boa no Poder Executivo. Lindaval Maria da Silva, Miciel Brito de Melo, por exemplo, ganham mais que R$ 2,4 mil por mês, também bruto. O motorista João Manoel dos Santos, que tem a mesma carga horária, recebe R$ 2,2 mil.
O curioso dessas situações é que um dos principais problemas relatados pelo secretário de Planejamento, Obery Rodrigues, em entrevista concedida a O Jornal de Hoje foi, justamente, os altos custos mensais com a folha salarial dos servidores. Dos 17,3% do orçamento investido na saúde, inclusive, 13,5% vai exclusivamente para o pagamento de pessoal. É a maior porcentagem do orçamento no Nordeste usada para pagar servidores.
DESCONHECIMENTO
Em contato com o secretário de Tributação, José Airton da Silva, O Jornal de Hoje questionou sobre o baixo valor pago pela pasta a médica e a surpresa do gestor não foi somente o fato dos R$ 680 mensais, mas sim a própria existência de um médico na SET.
“Médico? Não tenho conhecimento. Sei que há alguns auditores fiscais que são formados em medicina, mas uma pessoa lotada como médico, não conheço. Talvez tenha sido algum erro de divulgação das listagens. Podem ter errado na hora de colocar o cargo ou na lista do TEC”, justificou o secretário.
SEM CARGO DEFINIDO
Com uma rápida observação nas listas de salários divulgadas pelo site do Governo do Estado, é possível constatar que há alguns servidores que, simplesmente, não te cargo definido. São lotados no Poder Executivo, estão descritos como "ativos", recebem salários, mas não tem função especificada.
Desses que foram encontrados, o salário mais alto é de R$ 1.416,60, enquanto o menor é R$ 333,93. Somando os outros 15 servidores na mesma situação, o Governo do Estado teve um gasto mensal de R$ 13,8 mil com funcionários sem cargo definido.
DEFENSORIA
Outro fato interessante observado está na listagem das remunerações da Defensoria Pública do Estado. Dos 113 listados, 41 são estagiários. Ou seja, quase mais de um terço dos servidores do órgão são estagiários.
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